Centrais vão a pedetista após recuo sobre reforma

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Depois de moderar o discurso contra a reforma trabalhista em busca do apoio dos partidos do “Centrão”, como DEM e PP, o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, marcou reunião hoje, às 18h, com representantes de todas as centrais sindicais para receber sugestões para um futuro governo, como reduzir a jornada de trabalho a 40 horas semanais e revogar a emenda constitucional do Teto de Gastos, aprovada pelo governo Temer.

Devem participar do encontro representantes de todas as centrais sindicais, segundo o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, inclusive da Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT. O evento não é de apoio partidário, mas para discutir a agenda dos trabalhadores com os presidenciáveis.

Ciro tem buscado apoio dos partidos do “Centrão”, DEM, PP, SD e PRB, e, para isso, afirmou que adequará seu programa de governo aos partidos da coligação – que ajudaram a aprovar a reforma trabalhista, o Teto de Gastos e, em parte, defendem a reforma da previdência. Em eventos com empresários anteontem, o pedetista já modulou o discurso e disse que não é contra “reforma trabalhista, mas contra essa reforma” e listou pontos sobre os quais diverge, como o trabalho de grávidas em locais insalubres.

Juruna afirmou que a Força Sindical não tem preocupação com essa mudança de discurso e que, inclusive, foram os próprios dirigentes da central que sugeriram a Ciro reformular a discussão sobre o tema. “Não precisa falar em revogar a reforma. Tem pontos que nós próprios defendemos, como o negociado sobre o legislado, que é uma bandeira do movimento sindical desde as greves de 1978”, disse.

A pressão das centrais é para modificar pontos como o trabalho intermitente, terceirização irrestrita, exclusividade para trabalhadores autônomos e a volta de uma contribuição sindical.

Para o secretário-geral da Força, Ciro acerta ao negociar com partidos mais conservadores. “O Ciro precisa se mostrar mais maleável para o DEM como o PT fez para setores do empresariado quando teve perspectiva de chegar ao poder”, disse. “Sabemos que, se ele quiser ganhar a eleição, tem que fazer o jogo político. Posar de radical para nos agradar e perder a eleição não adianta nada”, afirmou Juruna.

Fonte: Valor Econômico (Por Raphael Di Cunto | De Brasília)

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