Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho

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O Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho acontece em 27 de julho, data que foi instituída após o Brasil tornar-se, em 1972, o primeiro país a ter um serviço obrigatório de Segurança e Medicina do trabalho em empresas com mais de 100 trabalhadores.

Este fato ocorreu por meio de portarias emitidas pelo Ministério do Trabalho (3.236 e 3.237), publicadas em 27 de julho de 1972.

Hoje, 46 anos depois, ainda parece que muito pouco foi feito para mudar o quadro das estatísticas e das ocorrências reais dos acidentes e adoecimentos decorrentes das condições e dos ambientes de trabalho no Brasil.

Neste ano, a situação acabou piorando ainda mais por conta da Reforma Trabalhista, Terceirização, Quarteirização… fatos que estão precarizando as relações de trabalho, podendo culminar com ainda mais prejuízos à saúde dos trabalhadores.

Após aquelas portarias, outras foram sendo elaboradas e atualmente, o que temos é um quadro nada otimista.

Quando olhamos para os Órgãos Governamentais, percebemos a carência de profissionais que podem atuar no sentido de garantir a saúde dos trabalhadores.

Do lado das empresas, entretanto, está sempre presente a negligência por parte de alguns dirigentes. Vale lembrar que, em se tratando de doenças e transtornos mentais, o Brasil está em 5º lugar no ranking da OMS; já quando falamos em adoecimento no ambiente de trabalho (acidentes, doenças profissionais e até mortes), o país ocupa a 4ª colocação na lista da OIT.

O que está ao nosso alcance é continuar buscando formas para mudar este quadro. Sindicalistas não podem cruzar os braços e fingir que não enxergam o sofrimento permanente dentro de setores da indústria, transporte, comércio e rurais.

Além disso, destacamos as profundas transformações tecnológicas e organizacionais no âmbito do trabalho. Ao contrário do que se imaginava, as máquinas não livraram os humanos de seus fardos. Uma transição que trouxe mais pressão, competitividade e produtividade, com impactos nocivos para os trabalhadores, que muitas vezes são obrigados a alcançar novos patamares de produção. Seja na utilização de novos equipamentos e tecnologias, como também na utilização de processos e máquinas do passado.

Hoje, é triste constatarmos que ainda existem e surgem novas formas dos trabalhadores adoecerem e morrerem. Sindicalistas devem reagir, portanto, e propor medidas mais eficazes. Sindicalistas não podem ficar calados diante do que vem acontecendo.

No dia 27 de julho de 2018, deixamos registrado nosso inconformismo com o atual panorama de acidentes e adoecimento dos nossos trabalhadores e trabalhadoras aonde quer que estejam.

Gostaríamos de poder fazer mais. Aliás, vamos continuar buscando mais e mais alternativas para mudar a atual realidade. Insistindo e persistindo, vamos manter nossa luta e não desistir jamais!

João Donizete Scaboli, 
Coordenador do departamento de saúde do trabalhador da FEQUIMFAR,
1º Secretário de Saúde do Trabalhador da Força Sindical e
Membro do Conselho Nacional de Saúde pela Força Sindical

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