Luta constante, o único caminho

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A conjuntura muda em alta velocidade. O comentário geral pós-Carnaval é: a Globo abriu espaço ao ‘fora, Temer’. Foi assim em longa reportagem na Globo News, repetiu-se no Jornal Nacional. Luzes amarelas se acendem nos aposentos do Palácio do Jaburu, para onde o presidente voltou após não considerar adequado o Palácio da Alvorada. Como se esses fossem tempos para reclamar de mordomias a mais ou a menos…

José Yunes delata, Eliseu Padilha estende sua licença por três semanas, revolta-se, ainda que surdamente, mas com consistência, a base governista em torno da reforma da Previdência. Partidos como o PMDB abrem mão do fechamento de questão, liberando seus quadros. Por mais que se tema o modelo que pode sair do Congresso da reforma trabalhista, também ai as contradições internas ao governo podem ajudar o movimento sindical.

Sim, há uma chance, neste momento, que parecia inexistente semanas atrás. A base oficial permanece forte e antitrabalhista, mas os argumentos que apresentamos, cada um de nós dirigentes a suas bases sindicais, em relação ao caráter duro e injusto da reforma proposta para a Previdência na PEC 287, fizeram sentido à sociedade. Em reunião da sede nacional da Força Sindical, na semana passada, o próprio relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA), avançou em suas posições ao ouvir nossos companheiros de diferentes categorias. Ele entendeu a importância de cobrar o recolhimento da contribuição previdenciária do agronegócio e das entidades filantrópicas. Também aquiesceu que a regra de transição proposta pela PEC 287 é injusta e precisa de muitos consertos. Maia, coerente, repetiu essas posições à frente da comissão especial da Previdência.

Neste campo de luta, percebemos que avança a emenda alternativa apresentada pelo deputado Paulinho da Força. Ela rebaixa a idade mínima de 65 anos para homens e mulheres, como quer o governo, para 60 anos para homens e 58 anos para mulheres, que é muito mais justo. Também cria uma regra de transição de 30% para todos, o que vai fazer que a aposentadoria por tempo integral possa ser alcançada aos 40 anos de trabalho, enquanto a proposta do governo só dá essa possibilidade depois de 49 anos!

Os trabalhadores, em particular, e o povo, no geral, começaram a entender que a reforma é contra a gente como a gente. E a pressão, de diferentes maneiras, sobre os parlamentares, após a trégua de Carnaval, tende a aumentar.

Assim é que outro caminho não se apresenta para nós que o da luta constante. Essa que temos feito e que iremos acentuar nas greves, paralisações e manifestações unitárias marcadas para o próximo dia 15. Nosso barulho está aumentando, nossa percepção dos males da reforma previdenciária já se espraia. Momento alto dessa tomada de consciência foi a concentração de milhares de aposentados e trabalhadores, na rua do Carmo, em comemoração ao Dia do Aposentado, em 25 de janeiro. É possível vencer!

Nada está ganho, é certo. O risco é alto, mas ainda nada está perdido. Precisamos acreditar e lutar. A luta por nenhum direito a menos está em curso. Atuando na frente da mobilização, de um lado, e nas contradições da base governista, de outro, o movimento sindical tem chance de sair dessa verdadeira enrascada com avanços sobre o ponto inicial que demarcava apenas e tão somente perdas sobre perdas.

Para que essa trajetória de resistência continue, as mobilizações, paralisações e greves de 15 de março, unitárias, são essenciais para a busca de uma reforma mais justa, bem como a pressão junto aos deputados, tanto em Brasília como em seus domicílios eleitorais.

À luta, porque a história está sendo escrita e temos de inserir nossos capítulos nesse livro.

Sergio Luiz Leite, Serginho
presidente da FEQUIMFAR e
1º secretário da Força Sindical

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