O voto foi uma conquista! Eu não abro mão desse direito. E você?

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Por Sergio Luiz Leite

Em outubro, teremos novamente em nossas mãos o poder e a responsabilidade de mudar os rumos do país, ao exercer nosso direito político de votar. Sabemos da importância desse dever, porém, muitas vezes nos esquecemos de como foi árdua a história para que essa conquista fosse possível.

No Brasil, esse direito já sofreu diversas restrições, como a exigência de uma renda mínima e a exclusão feminina. Depois da Proclamação da República, em 1889, por exemplo, uma enorme parcela da população era impedida de votar! Não iam às urnas menores de 21 anos, mulheres, analfabetos, mendigos, soldados, indígenas e entre outros.

Bem, com o passar do tempo, as normas foram mudando e garantias foram sendo conquistadas, mas, ainda assim, por muitos anos, o direito ao voto restringia-se somente a uma elite. Se pensarmos nas mulheres, então, somente em 1932, o voto feminino no Brasil foi assegurado, com ressalvas, após intensa campanha nacional.

Em história mais recente, lembramos também que o golpe militar de 1964 impediu o voto direto para Presidente da República e outros cargos, como governador, prefeito e senador. Ou seja, o caminho para a manifestação legítima da democracia ainda era custoso. Naquele tempo, eram escolhidos pelas urnas apenas os deputados federais, estaduais e vereadores.

Retomando outros fatos históricos, podemos olhar também para os Estados Unidos e verificar que lá, somente em 1965 o cidadão negro conquistou uma legislação específica que estabeleceu o fim das práticas eleitorais discriminatórias decorrentes da segregação racial. Apesar disso, ainda hoje há barreiras impostas ao exercício do voto. O acesso às urnas continua em pauta do movimento pelos direitos civis, porque os condenados à prisão e minorias pobres têm esse direito dificultado por vários estados norte-americanos.

Como vimos, o voto possui uma longa trajetória, revelando como a democracia tem se mostrado no Brasil e em várias partes do mundo. Infelizmente, nos dias de hoje, temos visto um grande retrocesso nas esferas democráticas em nosso país, fazendo com que a arbitrariedade impere e prejudique, principalmente, a camada mais pobre da população. No último ano, vimos direitos trabalhistas sendo retirados e ataques contínuos aos direitos previdenciários. É urgente o resgate da democracia para que possamos dar continuidade aos avanços históricos de lutas e conquistas.

Para fazer parte dessa história e registrar o nosso compromisso com um país melhor e mais justo, não podemos abrir mão do nosso direito ao voto. Por longos anos e longas lutas, muita gente esteve à frente de ações para que esse direito nos fosse garantido. Para isso, vamos fazer a nossa parte, garantindo a efetividade desse mecanismo.

E como fazer isso de forma a colaborar, efetivamente, com nosso futuro? Bem, estabelecendo critérios para a escolha desses candidatos, fazendo pesquisas – qual foi a postura do seu candidato frente à reforma trabalhista? E a opinião dele com relação à reforma da previdência?

Além disso, para inserir a pauta política no dia a dia, nada como promover debates saudáveis e rodas de conversas no Sindicato, por exemplo. Após as eleições, claro, temos o dever de acompanhar o trabalho dos eleitos.

Enfim, vamos verificar quem realmente defende os direitos da classe trabalhadora! No plano de governo de qual candidato estão as melhores ideias e investimentos em saúde, segurança, educação? Quem defende mais privilégios aos empresários, banqueiros? Temos que comparar e tomar partido, sim!

Somos nós quem temos o poder e a responsabilidade de salvar o desenvolvimento de nosso país, ao exercer, conscientemente, nossos direitos políticos. Por isso, no dia 7 de outubro compareça às urnas e escolha: presidente da República, governador do estado, senador, deputado federal e estadual.

De uma vez por todas, precisamos resgatar o peso e o significado do nosso voto e de um processo eleitoral justo, idôneo e transparente. Devolver aos trabalhadores o seu protagonismo no país, o seu compromisso com o desenvolvimento e fortalecimento de todo processo democrático.

Sergio Luiz Leite, Serginho
Presidente da FEQUIMFAR e
1º secretário da Força Sindical

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