Produção menor acende luz amarela no plástico

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No ano passado, enquanto a produção industrial brasileira recuou 1,1%, segundo dados do IBGE, a produção física de plásticos caiu 1,6%

No ano passado, enquanto a produção industrial brasileira recuou 1,1%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção física de plásticos caiu 1,6%. Para 2020, enquanto a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) é de crescimento de 2,3%, a expectativa dos transformadores plásticos – que produzem de utensílios domésticos a peças automotivas – é de expansão mais lenta, de 1,5%. Esse descompasso acendeu a luz amarela no setor, cuja produção atual está nos mesmos níveis vistos há uma década.

“A produção industrial caiu influenciada por Brumadinho [a tragédia com a barragem da Vale ], mas os plásticos independem da atividade mineral e estão presentes em todos os setores. Isso é preocupante”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho. Um segmento específico derrubou o desempenho no ano passado. Enquanto a produção de acessórios para construção civil e de embalagens plásticas cresceu até 5%, a de laminados caiu 2,6%, afetada pela produção menor de bens de consumo.

Conforme Roriz, embora as importações estejam crescendo, e ocupando espaço do plástico nacional, a maior preocupação do setor se refere à primarização dos produtos feitos no país. Itens de alto valor agregado têm sido cada vez mais importados e a ociosidade nos transformadores chegou a mais de 30%. Diante da capacidade ociosa e do elevado custo de capital, os transformadores brasileiros, especialmente de pequeno e médio porte, têm deixado de investir, o que levará à desatualização do parque industrial, hoje com seis anos em média.

O custo das matérias-primas no Brasil também desfavorece a competitividade do plástico nacional, lembra Roriz. No ano passado, o preço médio da tonelada de polipropileno no mercado doméstico estava em US$ 1.165, contra US$ 828 do preço médio internacional para exportação, segundo índices das consultorias Platts e ICIS. No polietileno, essa diferença chega a 40%. No caso do PE de alta densidade (PEAD), o preço doméstico médio foi de US$ 1.1623 a tonelada, frente a US$ 977 por tonelada da média internacional. “Há transferência de margem para um setor que não têm concorrência e retirada da capacidade de investir da transformação”, diz Roriz.

Maior produtora de resinas das Américas e com no máximo uma concorrente local a depender do tipo de produto, a Braskem propôs a seus clientes reajustes de até 12% nos preços desses insumos, válidos para fevereiro, apurou o Valor. A nova política de preços foi encaminhada aos transformadores plásticos no início da semana, mas a aplicação do aumento, que em termos nominais chega a R$ 500 por tonelada, só ocorre após negociações individuais.

Entre o fim do ano passado e o início deste ano, houve aumento nos preços internacionais do polipropileno e do polietileno, e a Braskem acompanha os movimentos do mercado externo. Mas a queda de consumo na China deve levar a novo recuo tanto em resinas quanto nas cotações das matérias-primas, dizem os transformadores, e neste momento não será possível absorver ou repassar o aumento.

Além disso, alegam que as condições de mercado não justificam o novo aumento, tendo em vista a forte desvalorização do petróleo nos últimos 30 dias e o potencial impacto da epidemia de coronavírus na economia. Procurada, a Braskem informou que “mantém sua política de equiparação de preços de sua resina com o mercado global”. “Isso inclui acompanhar as variações das referências de preços das resinas em si e da taxa de câmbio”, acrescentou.

Além das questões habituais, a indústria do plástico vem enfrentando outro desafio crescente e que parece inevitável: a restrição ao chamado plástico de uso único. Em São Paulo, depois dos canudinhos de plástico, a Prefeitura sancionou uma lei que proíbe o fornecimento de produtos descartáveis de plástico em estabelecimentos comerciais. Em carta ao prefeito Bruno Covas (PSDB), o presidente da Abiplast defende que a solução ideal não é o banimento, mas sim a gestão dos resíduos sólidos e o fomento à economia circular.

Fonte: Valor Econômico (Por Stella Fontes)

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